Lá vai ela. Sempre tão distraída, tão sorridente, tão feliz. Mal sabem os outros o que se passa pelos seus pensamentos, pelo seu coração. Mal sabe que ao encostrar sua cabeça no travesseiro ela chora. Saudade, tristeza, felicidade, depende do dia. E lá vai ela. Sempre tão confusa, tão indecisa, tão desastrada, tão esquecida. Por fora tão forte, por dentro tão sensível. Não tente decifrá-la, você jamais a entenderá. Chora por tudo e ri por nada. Lá vai ela. Tão ingênua mas tão madura, tão sonhadora, tão esperançosa. Quando quer algo corre atrás, não liga para opinião alheia, cansou de se preocupar com os outros. Lá vai ela. Tão diferente, tão sozinha mas tão cercada de gente. Às vezes gosta de sair, mas às vezes o que mais quer fazer é ficar trancada em seu quarto apenas com si mesma e dormir. Lá vai ela. Tentando encontrar o seu lugar, errando e acertando, não importa, o que quer é se achar. Lá vai ela. Tão estranha, tão normal. Tão, ela. - M. Frangello Franzese

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Vídeo postado em 21/05/2012 às 3:34pm | 25,790 notes | (reblogue this!)


Photo postado em 21/05/2012 às 3:34pm | 3,108 notes | (reblogue this!)
Ele: Eu te amo.
Ela: Homens são todos iguais.
Ele: Por que?
Ela: Vamos ver daqui um tempo para quem você vai dizer "te amo".
Ele: Para outra...
Ela: Viiu, eu sabia.
Ele: E ela vai te chamar de mamãe.

Chat postado em 21/05/2012 às 3:33pm | 10,841 notes | (reblogue this!)

Eu realmente sou a única pessoa do mundo que consegue enxergar o enorme abismo entre “te amo” e “eu te amo”, “valeu” e “obrigado”, “foi mal” e “desculpa”, “amor” e “meu amor”?

(Source: rocknrollgirl, via e-xcitable)

Texto postado em 21/05/2012 às 3:33pm | 6,291 notes | (reblogue this!)
- Você é fria.
- Que bom.
- Acha que isso é qualidade, menina?
- Acho que isso é resistência.

Chat postado em 21/05/2012 às 3:33pm | 26,650 notes | (reblogue this!)

Você me lembra muito o homem de lata do Mágico de Oz, só com uma diferença: ele confessa a busca por um coração, enquanto você faz a sua silenciosa, em passos calmos e se gaba por ser feito de aço da cabeça aos pés. Sentimentos enferrujados, sorriso sempre à mostra, olhos quase nunca atentos; faz a mesma viagem dos personagens do ‘Mágico de Oz’ em busca do caminho de casa, mas nem desconfia que sua casa é você mesmo. Procura fora o que está dentro e esconde dentro o que poderia ser bonito aqui fora. Menino assustado, perdido, seu caminho é “in”. Talvez se deixasse a armadura de lado pudesse ouvir o coração batendo em algum lugar muito próximo, mas o medo ensurdece; é a coragem que abre os olhos, ouvidos, mente e peito. É a coragem de mostrar fraqueza que fortalece. Mas como pode o homem de lata saber dessas coisas que são emoção? “Homem de lata também sente”, alguns dirão. Concordo. Sente, mas dificilmente amassa. Sente, mas facilmente esquece; porque o chapéu de funil não filtra sentimento. Sente, mas não aperta o coração, não apavora o estômago, não atormenta a mente. Sente sem saber guardar.

Quem sabe um dia esse homem feito de lata encontre um mágico que lhe dê um coração; quem sabe um dia ele decida parar de enganar a si mesmo que consegue viver só com dois pulmões no centro do corpo. Quem sabe um dia ele volte um pouco o caminho e vem com o sorriso estampado e o peito, enfim, aberto. De nada adianta dois pulmões se você não tem um coração pra te fazer perder o fôlego. O homem de lata tem olhos invejáveis, abraço de algodão, é imã. Atrai aos outros naturalmente (e dói saber que isso tem acontecido) porque é como se algo lá dentro, no centro dissesse assim: ‘Eu não sei caminhar até aí, mas venha, sente-se comigo e serei uma ótima companhia.’ E ele é. Só falta um coração pra saber disso tudo. Acho que a Dorothy não se importaria em mudar um pouco a história e dividir o seu, enquanto o homem de lata não descobre o que carrega dentro.

— Eu conheço um homem de lata e ele não sabe a falta que seu abraço revestido de aço me faz. (Autor Desconhecido)

(Source: nao-ha-estrelas-essa-noite, via againstfacts)


Quote postado em 21/05/2012 às 3:33pm | 2,241 notes | (reblogue this!)

Não fica assim…Tem coisas que a gente não perde, se livra.

Tati Bernardi (via sabedorias)

(Source: nomeiodoinverno, via the-ghost-0f-you)


Quote postado em 21/05/2012 às 3:33pm | 4,917 notes | (reblogue this!)
salt-waterroom:

Quantas lágrimas serão necessárias até que eu compreenda que você se foi?
Essa é a hora em que o laço se rompe e todas as lembranças são tiradas de nós dois. Os nós se enredam e se desenlaçam em um piscar de olhos. Você não está mais aqui. Tanto para se dizer, tanta coisa em branco. E não há mais tempo para pôr-las na mesa. Eu olho para você e vejo que a cada segundo está mais distante de mim. Posso quase sentir a sua respiração falhando, ver seus olhos se fechando lentamente. Eu sinto você lutar contra isso. Mas não dá – algo do outro lado é mais forte. O nada é bonito? Ele tem cor, cheiro e tato? Porque esse paraíso de cores e perfumes anda me matando. E a única culpada disso tudo, sou eu. Nunca fui capaz de lhe amar o suficiente. Nunca pude lhe dar o carinho que sempre mereceu. Você ficou do meu lado mesmo quando eu não falava nada. Você me confortou todas as vezes que as lágrimas caíam pelos meus olhos. E eu posso ver como essa impotência lhe mata. Como você se sente mal por não poder fazer nada por mim. Por favor, não sinta. Eu vou ficar bem. Eu mereço ficar sozinha. Sei que você me viu crescer chorando durante todo esse tempo. Sei que você acredita que eu não sou capaz de tomar conta de mim mesma – e, talvez, você esteja certo. Mas de fato eu preciso aprender. Nós todos precisamos. 
Ei, olha aqui. Não precisa ficar com esses olhinhos tristes, meu amigo. Deixa isso para mim. Deixa a solidão para mim, e pega todas as coisas boas para você. Eu te prometo parar de chorar algum dia desses. Prometo que eu paro quando secar. Eu vou ficar bem, não se assuste. Não sou mais uma garotinha. Você não precisa ter a obrigação de cuidar de mim, como sempre cuidou. Não precisa me pedir desculpas – essa parte também fica comigo. Sou eu quem sente muito. Por não ter estendido a mão todas as vezes que você precisou de colo. Por não ter sido capaz de enxergar o que estava bem a minha frente. Por não ver você desmoronando enquanto eu sorria. Por não me importar o bastante para checar se estava mesmo tudo bem. Sinto muito por estar chorando na sua frente, quando eu deveria ser capaz de lhe dar um exemplo de força. Você tem todo o direito de partir e nunca mais lembrar-se de mim. Só, por favor, não me peça para esquecer. Não me peça para fingir que está tudo bem. A verdade será meu último pecado.
Então, meu amor… Pode ir. Você tem toda a minha permissão. Deixo de lado esse meu egoísmo obsessivo e abro as portas para você. Vai doer, é claro. Sempre dói. Mas não tem jeito de impedir. Não sem lhe machucar. Você sempre estará aqui comigo, mesmo sendo eu quem traiu você. Parte de mim nunca vai permitir que você se vá por completo. Vai de corpo, mas deixa a alma. Eu sempre vou rir ao olhar velhas fotografias, e durante essas 24 horas de todos os anos, eu vou lembrar você. Vou deixar a dor entrar, bem devagarzinho, e tomar conta de mim por completo. Mas é preciso deixar ir. Eu preciso lhe deixar ir. Preciso aprender a conviver com a ideia de que não há mais nada em que eu possa me prender. O cabo de aço se evaporou. Agora, eu estou a completa deriva. Sem nada. O amor não existe. A felicidade não existe. Dor e arrependimento são as únicas coisas reais, amor. As únicas coisas que eu consigo tocar e ter a certeza de que não irão me abandonar.
Aceite isso como o meu adeus. Aquele que eu não pude pronunciar. Aceite isso como a dor de um grito eternamente sufocado. Eu tentei, mas não pude.
Com amor (mesmo depois de ele ter deixado de existir),
Ana F (salt-waterroom) 

salt-waterroom:

Quantas lágrimas serão necessárias até que eu compreenda que você se foi?

Essa é a hora em que o laço se rompe e todas as lembranças são tiradas de nós dois. Os nós se enredam e se desenlaçam em um piscar de olhos. Você não está mais aqui. Tanto para se dizer, tanta coisa em branco. E não há mais tempo para pôr-las na mesa. Eu olho para você e vejo que a cada segundo está mais distante de mim. Posso quase sentir a sua respiração falhando, ver seus olhos se fechando lentamente. Eu sinto você lutar contra isso. Mas não dá – algo do outro lado é mais forte. O nada é bonito? Ele tem cor, cheiro e tato? Porque esse paraíso de cores e perfumes anda me matando. E a única culpada disso tudo, sou eu. Nunca fui capaz de lhe amar o suficiente. Nunca pude lhe dar o carinho que sempre mereceu. Você ficou do meu lado mesmo quando eu não falava nada. Você me confortou todas as vezes que as lágrimas caíam pelos meus olhos. E eu posso ver como essa impotência lhe mata. Como você se sente mal por não poder fazer nada por mim. Por favor, não sinta. Eu vou ficar bem. Eu mereço ficar sozinha. Sei que você me viu crescer chorando durante todo esse tempo. Sei que você acredita que eu não sou capaz de tomar conta de mim mesma – e, talvez, você esteja certo. Mas de fato eu preciso aprender. Nós todos precisamos.

Ei, olha aqui. Não precisa ficar com esses olhinhos tristes, meu amigo. Deixa isso para mim. Deixa a solidão para mim, e pega todas as coisas boas para você. Eu te prometo parar de chorar algum dia desses. Prometo que eu paro quando secar. Eu vou ficar bem, não se assuste. Não sou mais uma garotinha. Você não precisa ter a obrigação de cuidar de mim, como sempre cuidou. Não precisa me pedir desculpas – essa parte também fica comigo. Sou eu quem sente muito. Por não ter estendido a mão todas as vezes que você precisou de colo. Por não ter sido capaz de enxergar o que estava bem a minha frente. Por não ver você desmoronando enquanto eu sorria. Por não me importar o bastante para checar se estava mesmo tudo bem. Sinto muito por estar chorando na sua frente, quando eu deveria ser capaz de lhe dar um exemplo de força. Você tem todo o direito de partir e nunca mais lembrar-se de mim. Só, por favor, não me peça para esquecer. Não me peça para fingir que está tudo bem. A verdade será meu último pecado.

Então, meu amor… Pode ir. Você tem toda a minha permissão. Deixo de lado esse meu egoísmo obsessivo e abro as portas para você. Vai doer, é claro. Sempre dói. Mas não tem jeito de impedir. Não sem lhe machucar. Você sempre estará aqui comigo, mesmo sendo eu quem traiu você. Parte de mim nunca vai permitir que você se vá por completo. Vai de corpo, mas deixa a alma. Eu sempre vou rir ao olhar velhas fotografias, e durante essas 24 horas de todos os anos, eu vou lembrar você. Vou deixar a dor entrar, bem devagarzinho, e tomar conta de mim por completo. Mas é preciso deixar ir. Eu preciso lhe deixar ir. Preciso aprender a conviver com a ideia de que não há mais nada em que eu possa me prender. O cabo de aço se evaporou. Agora, eu estou a completa deriva. Sem nada. O amor não existe. A felicidade não existe. Dor e arrependimento são as únicas coisas reais, amor. As únicas coisas que eu consigo tocar e ter a certeza de que não irão me abandonar.

Aceite isso como o meu adeus. Aquele que eu não pude pronunciar. Aceite isso como a dor de um grito eternamente sufocado. Eu tentei, mas não pude.

Com amor (mesmo depois de ele ter deixado de existir),

Ana F (salt-waterroom) 

(via againstfacts)


Photo postado em 21/05/2012 às 3:32pm | 173 notes | (reblogue this!)

Calma. Espera. Deixa eu organizar o que quero dizer. Assim. Aquele domingo, lembra? Fui buscar pão e geleia de morango, e pedi emprestado seu MP3 player para distrair meu caminho. Talvez através da sua seleção eu soubesse melhor quem você é. Sei que eu comentei algo idiota sobre uma suposta vontade de me enforcar após ouvir sua listagem e você, meio brabo, grosso e arredio, disse “se você está com vontade de comer uma torta de morangos deve procurar uma confeitaria, e não um açougue” e blá-blá-blá. Tudo bem, não está mais lá quem falou.

Só que eu estou aqui. Querendo saber mais coisas remotamente pessoais sobre você sem que uma expressão de pavor cruze seu rosto. Então, com quantos anos você perdeu a virgindade? Já foi a algum show do Whitesnake? Você teve sarampo quando criança? Você foi criança um dia, não foi? Como vai sua mãe? Você me quer apenas como sua garota de final de semana? Eu quero mais.

Eu sei o que você vai dizer. Mentira. Não sei. Mas gosto de fantasiar alguma coisa mais ou menos parecida com “Já estamos juntos desde sexta-feira, não estamos? Você ainda quer que eu fale? Desculpe, baby, isso já é pedir demais. Pensei que minhas intenções estivessem implícitas”. Aquele seu jeito seco e ao mesmo tempo delicado de esfregar a suas razões na minha cara. Odeio quando você está certo, coisa que acontece quase o tempo todo. Além do mais, não é justo. Você já me viu meio embriagada, sentada no meio-fio, chorando de saudades da minha mãe. Você já me viu chorando embaixo de você, no meio de uma trepada afetuosa, impressionável e emocionante, e eu tive de fingir que apenas tivera um dia ruim.

Enfim, em três meses você me viu chorando 43% do volume esperado para o ano inteiro. Mas é que, sei lá. Isso tudo, todo esse medo do nada-acontecer ou do tudo-acontecer-rápido-demais tem me deixado cansada. Nada de mais. Você sabe montes de coisas sobre mim, muito porque sou tagarela, coleciono tiques nervosos e acho que está sempre faltando um algo mais – por que se contentar com o ótimo, se pode ficar perfeito? Vocês meninos têm disso? Tipo, quando jogam videogame, desmontam motores ou fazem fogo, vocês trocam ideias, buscam saber o que o amiguinho acha a respeito disso e daquilo? Tudo bem, eu sei que não. Pode ficar aí, na tua, quieto, não se faz necessário reunir forças para mover lábios e cordas vocais para responder qualquer coisa que seja. Não quero incomodar, mas, vai, solta pelo menos um muxoxo ou me manda calar essa maldita boca.

Passear pela calçada contigo tem a mesma sensação de ir a um bom restaurante concorrido. Na sua testa está escrito RESERVADO, e eu espero de verdade que o lugar seja meu. Sabe, eu tenho adorado sentar à sua mesa e experimentar sua comida bonita, colorida, aromática, sedutora e cheia de sabor. Nunca me importei muito com a receita, os ingredientes e a forma de preparo. De todos os locais onde jantei, todas as vezes evitei descobrir ratos e baratas e outras guarnições escrotas nos bastidores daqueles idiotas. Eu não queria me decepcionar. Mas contigo é diferente. Eu preciso saber. Como vou saber se estou pisando em ovos se você não me convida para conhecer sua cozinha?

Me diz alguma coisa, vai. Me fala tudo aquilo que eu ando louca pra ouvir da sua boca. Sussurra, então. Ou me ensina a receptar telepatia, essa língua que só os inteligentes e evoluídos e incógnitos e brancas-nuvens conseguem decifrar. Porque eu já estourei minha cota de intuição. Diz que me adora, que gosta de mim, que sente saudades minhas e uma vontade insana de me ver em plena quarta-feira. Sei que não muda nada, mas eu preciso ouvir. Ou isso, ou eu pego minha bicicleta e dou o fora daqui. Agora. Sabe, não está dando muito certo, às vezes eu me sinto meio o Dick Vigarista gritando para o Mutley fazer alguma coisa. E você só olha meu desespero patético e fica rindo. E então? Como vai ser?

Desisto. Eu acho, às vezes, que seria mais produtivo perseguir pombos em praça pública. Bem, eu só queria dizer que, apesar desse seu jeito todo iceberg de ser, eu te acho um rapaz incrível. Você é o melhor ser humano entre os piores que já conheci. Ou o pior entre os melhores. Não sei. Sei que eu inexplicavelmente estou na tua e você sabe disso. Não dá bola, assim que meu ataque trevoso de angústia cessar, eu sei, não vou me importar nem um pouco se você ficar na tua, se você não ligar de me aturar falando pelos cotovelos, deitada do teu lado.

— Gabito Nunes. (via salt-waterroom)

(via againstfacts)


Quote postado em 21/05/2012 às 3:32pm | 61 notes | (reblogue this!)

Calma. Espera. Deixa eu organizar o que quero dizer. Assim. Aquele domingo, lembra? Fui buscar pão e geleia de morango, e pedi emprestado seu MP3 player para distrair meu caminho. Talvez através da sua seleção eu soubesse melhor quem você é. Sei que eu comentei algo idiota sobre uma suposta vontade de me enforcar após ouvir sua listagem e você, meio brabo, grosso e arredio, disse “se você está com vontade de comer uma torta de morangos deve procurar uma confeitaria, e não um açougue” e blá-blá-blá. Tudo bem, não está mais lá quem falou.

Só que eu estou aqui. Querendo saber mais coisas remotamente pessoais sobre você sem que uma expressão de pavor cruze seu rosto. Então, com quantos anos você perdeu a virgindade? Já foi a algum show do Whitesnake? Você teve sarampo quando criança? Você foi criança um dia, não foi? Como vai sua mãe? Você me quer apenas como sua garota de final de semana? Eu quero mais.

Eu sei o que você vai dizer. Mentira. Não sei. Mas gosto de fantasiar alguma coisa mais ou menos parecida com “Já estamos juntos desde sexta-feira, não estamos? Você ainda quer que eu fale? Desculpe, baby, isso já é pedir demais. Pensei que minhas intenções estivessem implícitas”. Aquele seu jeito seco e ao mesmo tempo delicado de esfregar a suas razões na minha cara. Odeio quando você está certo, coisa que acontece quase o tempo todo. Além do mais, não é justo. Você já me viu meio embriagada, sentada no meio-fio, chorando de saudades da minha mãe. Você já me viu chorando embaixo de você, no meio de uma trepada afetuosa, impressionável e emocionante, e eu tive de fingir que apenas tivera um dia ruim.

Enfim, em três meses você me viu chorando 43% do volume esperado para o ano inteiro. Mas é que, sei lá. Isso tudo, todo esse medo do nada-acontecer ou do tudo-acontecer-rápido-demais tem me deixado cansada. Nada de mais. Você sabe montes de coisas sobre mim, muito porque sou tagarela, coleciono tiques nervosos e acho que está sempre faltando um algo mais – por que se contentar com o ótimo, se pode ficar perfeito? Vocês meninos têm disso? Tipo, quando jogam videogame, desmontam motores ou fazem fogo, vocês trocam ideias, buscam saber o que o amiguinho acha a respeito disso e daquilo? Tudo bem, eu sei que não. Pode ficar aí, na tua, quieto, não se faz necessário reunir forças para mover lábios e cordas vocais para responder qualquer coisa que seja. Não quero incomodar, mas, vai, solta pelo menos um muxoxo ou me manda calar essa maldita boca.

Passear pela calçada contigo tem a mesma sensação de ir a um bom restaurante concorrido. Na sua testa está escrito RESERVADO, e eu espero de verdade que o lugar seja meu. Sabe, eu tenho adorado sentar à sua mesa e experimentar sua comida bonita, colorida, aromática, sedutora e cheia de sabor. Nunca me importei muito com a receita, os ingredientes e a forma de preparo. De todos os locais onde jantei, todas as vezes evitei descobrir ratos e baratas e outras guarnições escrotas nos bastidores daqueles idiotas. Eu não queria me decepcionar. Mas contigo é diferente. Eu preciso saber. Como vou saber se estou pisando em ovos se você não me convida para conhecer sua cozinha?

Me diz alguma coisa, vai. Me fala tudo aquilo que eu ando louca pra ouvir da sua boca. Sussurra, então. Ou me ensina a receptar telepatia, essa língua que só os inteligentes e evoluídos e incógnitos e brancas-nuvens conseguem decifrar. Porque eu já estourei minha cota de intuição. Diz que me adora, que gosta de mim, que sente saudades minhas e uma vontade insana de me ver em plena quarta-feira. Sei que não muda nada, mas eu preciso ouvir. Ou isso, ou eu pego minha bicicleta e dou o fora daqui. Agora. Sabe, não está dando muito certo, às vezes eu me sinto meio o Dick Vigarista gritando para o Mutley fazer alguma coisa. E você só olha meu desespero patético e fica rindo. E então? Como vai ser?

Desisto. Eu acho, às vezes, que seria mais produtivo perseguir pombos em praça pública. Bem, eu só queria dizer que, apesar desse seu jeito todo iceberg de ser, eu te acho um rapaz incrível. Você é o melhor ser humano entre os piores que já conheci. Ou o pior entre os melhores. Não sei. Sei que eu inexplicavelmente estou na tua e você sabe disso. Não dá bola, assim que meu ataque trevoso de angústia cessar, eu sei, não vou me importar nem um pouco se você ficar na tua, se você não ligar de me aturar falando pelos cotovelos, deitada do teu lado.

— Gabito Nunes. (via salt-waterroom)

(via againstfacts)


Quote postado em 21/05/2012 às 3:28pm | 61 notes | (reblogue this!)
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